DEFYING GRAVITY por IDINA MENZEL

"Something has changed within me. Something is not the same. I'm through with playing by the rules of someone else's game. Too late for second-guessing. Too late to go back to sleep. It's time to trust my instincts, close my eyes and leap. It's time to try defying gravity. I think I'll try defying gravity and you can't pull me down... I'm through accepting limits 'couse someone says they're so. Some things I cannot change but 'till I try, I'll never know. Too long I've been afraid of losing love - I guess I have lost. Well, if that's love it comes at much too high a cost. Kiss me goodbye I'm defying gravity and you can't pull me down... So if you care to find me look to the western sky. As someone told me lately - Ev'ryone deserves the chance to fly. And if I'm flying solo at least I'm flying free. To those who'd ground me take a message back from me - Tell them how I am defying gravity! I'm flying high defying gravity! And soon I'll match them in renown. And no one is ever gonna bring me down!"

From: Wicked

A MENSAGEM

O calor despertou com o nascer do sol e a brisa foi levada pela noite. Acordou cedo e foi até à praia. O dia estava digno de uma bebida à beira-mar. O seu corpo havia secado com a alma, pois a coisa mais preciosa tinha ficado do outro lado da imensidão da água, que, agora, se prostrava aos seus pés. Já não estava mais sozinho... mas mesmo que a companhia fosse importante para si, mais real era o sentimento guardado por aquilo que não podia ver.

Encarou o mar de frente e pensou: "Agradeço por te ter ao meu lado, por ter o teu amor por inteiro. Mostraste-me o que é amar e ser amado. Posso ainda não saber muito sobre amor, mas as verdades que eu sei foste tu quem mas ensinou. E assim é porque me amaste, um dia, de inesperado. E porque me amas, hoje, na ausência.

Fechou os olhos e voltou à realidade. À sua volta estava tudo animado. Era um bom presságio!

A FORMIGA

O tempo estava quente e o coração tinha momentos em que desejava saltar do corpo para fora. A cidade ainda era grande demais para o seu desconhecido olhar. E sentiu-se como uma formiga num formigueiro estrangeiro, onde toda a organização já estava estabelecida.

Perdeu os medos e saiu de casa, sozinho, caminhando pela matriz ordenada da cidade, quarteirão a quarteirão, até chegar perto do mar. Aí respirou o ar salino e admirou a sinfonia das ondas, o vai e vem que relaxou os seus olhos; e o coração bateu mais devagar.

Do outro lado ficaram as memórias, do outro lado do oceano. Consigo, apenas o desejo de conhecimento de uma nova terra, onde bebiam a água dos cocos, onde o medo fazia parte do dia-a-dia, onde o sol recolhia às seis da tarde, onde estava sozinho...

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O dia tinha chegado. Rumou a Fortaleza onde ia ficar 10 meses.

Aquele foi um dia complicado. Deixar Lisboa e as suas pessoas para trás. Aquando da entrada para as portas de embarque, nos últimos olhares, nos últimos abraços, as lágrimas, supostamente proibidas de comum acordo, mas inevitáveis, visitaram os seus olhos e os dos que se foram despedir. Foi estranho atravessar aquelas portas sozinho. Esse foi o início da sua aventura. Um aperto no peito. Uma lágrima. Uma mensagem a dizer: "Amo-te". E o avião levantou voo... e no ar disse ainda um último adeus a Lisboa, à sua cidade, à sua antiga vida.

Não sabia como ia ser dali para a frente. Não sabia o que ia encontrar. Quem iria conhecer. O que iria fazer. Levou consigo um número de telefone e a esperança de que alguém atendesse do outro lado.

-Estou?...

LIVRE!

Procurar algo para lá do que os olhos viam, era o que tentava fazer todos os dias, desde o acordar ao deitar. Descobrir o que estava para lá da natural percepção das coisas. Em tempos apelidou-se de sonhador, mas essa ideia foi-se desvanecendo com o tempo, estava a crescer. E nada o podia impedir. Onde ficaram as viagens às terras perdidas? Onde pararam as batalhas travadas nos grandes campos verdes? Onde se perderam essas memórias? Onde se perdera ele?

O tempo corria atrás dele. O tempo corre atrás de todos. Ele não era excepção. O tempo trazia-lhe o esquecimento. O esquecimento de um tempo em que lutara pela liberdade. E parecia, agora, que nada fazia sentido. Onde ficou todo o sonho? Quando começou a realidade não imaginada? E olhou para si, uma figura desleixada, desarrumada, desconcertada, e não se imaginou assim. Só o seu rosto, no espelho, revelava os tempos longínquos em que acreditava. Liberdade.

Livre, disseram-lhe um dia, és livre!

Serei?, pensou.

Talvez. Não tanto como ontem... não tanto como amanhã.