LIVRE!

Procurar algo para lá do que os olhos viam, era o que tentava fazer todos os dias, desde o acordar ao deitar. Descobrir o que estava para lá da natural percepção das coisas. Em tempos apelidou-se de sonhador, mas essa ideia foi-se desvanecendo com o tempo, estava a crescer. E nada o podia impedir. Onde ficaram as viagens às terras perdidas? Onde pararam as batalhas travadas nos grandes campos verdes? Onde se perderam essas memórias? Onde se perdera ele?

O tempo corria atrás dele. O tempo corre atrás de todos. Ele não era excepção. O tempo trazia-lhe o esquecimento. O esquecimento de um tempo em que lutara pela liberdade. E parecia, agora, que nada fazia sentido. Onde ficou todo o sonho? Quando começou a realidade não imaginada? E olhou para si, uma figura desleixada, desarrumada, desconcertada, e não se imaginou assim. Só o seu rosto, no espelho, revelava os tempos longínquos em que acreditava. Liberdade.

Livre, disseram-lhe um dia, és livre!

Serei?, pensou.

Talvez. Não tanto como ontem... não tanto como amanhã.

2 comentários:

margarida disse...

Apesar de não ir deixando comentários em todos os textos, deixo aqui este para saberes que não tenho perdido uma pitada do teu blog, é como um livro leio sempre um bocadinho e é óptimo para mim pois não me assusta com as 250 páginas q se seguem, mas a sério axo q tens aqui muita coisa linda para escreveres um livro... mais um... ainda me deves um resumo resumido da triologia .... beijo

Luís disse...

"Não tanto como amanhã"... e é assim que deve ser. Uma luta pela liberdade. Todos os dias. Até ao derradeiro fôlego.

Um abraço